quarta-feira, 6 de junho de 2012

Memória afetiva I



Hoje meu dia foi nostálgico. Lembrei-me tanto de papai! Não gosto quando a saudade toma conta, é tristeza na certa. Não venha me dizer que se é saudade boa não dói, porque toda saudade é dolorida, toda lembrança traz sequela e de onde a gente volta não voltamos os mesmos. Um pedaço de nós fica lá longe onde estivemos para matar essa saudade de alguém que nos deixou e sua ausência é *para sempre!*

Meu pai foi um homem apaixonado pelo que fazia. Transmitiu essa paixão pelo trabalho aos filhos, excelentes profissionais. Aposentou-se como *gerente*, era assim que se falava, do antigo armazém da RMV. Nesse armazém vendia-se de quase tudo. Lembro-me de que ele trazia roupas de cama, mesa, banho, mantimentos e, ainda, cultivava uma colmeia atrás do armazém e, de vez em quando, trazia-nos o favo ou o mel. Lembro-me até hoje do sabor, assim como também fazemos uso de mel em nossa mesa.

Papai subia de bonde para nossa casa e descia a pé. Levava-nos, muitas vezes, a passear pela cidade. E os trens? Minha avó morava em Ribeirão Vermelho e todos os domingos, pegávamos um deles (não sei se a *Bitolinha* ou *Maria Fumaça*), descíamos na estação de RV e íamos almoçar com nossa avó Mercedes. Sempre meus pais, meu irmão Marcos Possato e eu. Ela morreu no dia 20/07, dia do aniversário da cidade e não pudemos ir ao baile. Só não me lembro do ano...

Meu irmão mais velho, José Roberto, herdou sua paixão pelos trens. Em sua casa há uma foto de uma máquina famosa e a cada vez que escutava o barulho de um deles passando nos trilhos perto de onde moramos, saía à porta ou ia nos fundos da horta para vê-los. São muitos os casos, muitas as histórias, espaço pequeno. Aqui também não é lugar para escrita longa, é que me deu uma *nostalgia*, talvez o dia nublado, sozinha em casa e o Dario me cutucando pra escrever algo. Dario, meu velho e carinhoso amigo a quem muito amo. Nosso eterno vizinho. E a vida continua com seus trilhos sinuosos, ora retos, sempre em direção a algo mais profundo e sincero! Nossa verdade!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Recomeço

Estou recomeçando minha vida profissional. Há algum tempo doei meus livros didáticos e alguns literários. Foram sem que eu tivesse tempo de me arrepender, mas não aguento de saudade deles. Choro cada livro ido, saído pela janela, porque não tive tempo de dizer-lhes adeus. Hoje tento recuperar minha estante e o tempo está curto para tanta memória de tudo que joguei fora e não volta mais. Comprar é fácil, difícil é recompr a vida!

Nunca pensei que fosse sentir tanto a falta de folhas velhas, encardidas, visitadas pelo tempo e amareladas pelo manuseio contínuo de mãos vacilantes e impetuosas a caminho do saber.

Foi-se uma época de minha vida, ficou o vazio da transformação. Essa me pegou desprevenida, como todas as mudanças e não sei porquê lamento a existência de tão irriquietos pensamentos que me tonteiam e me fazem girar em torno do que ainda poderia fazer.

A realidade me chama para o presente e me conclama a virar essa página de minha vida. Recomeçar é a atitude certa de quem não resistiu ao apelo da mente e quer de novo restabelecer um vínculo com a sabedoria, com o conhecimento, com minhas vivências anteriores e poder jorrar tudo numa imensa união de mentes dispostas a receber o que de tão precioso não ocultei; de tão gratificante não segurei com toda minha força: meus livros. 

E cá estou eu novamente catando de minha memória o que de tão estonteante perdi e refazendo uma grande e enfileirada carreira de livros que vou conseguindo, à medida que vou me lembrando das horas, dias vividos em companhia real e feliz de uma estante que não volta mais.

sábado, 10 de março de 2012

Poema enviado pelo amigo Chible Haddad...Muito lindo!


Prefiro que falem mal de mim
Prefiro a maledicência
O boato
A infâmia
A calúnia
A difamação
Prefiro que inventem coisas a meu respeito
Mas ,por favor, a verdade não
Prefiro que as pessoas me olhem torto na rua
Rindo de mim depois que já passei
Prefiro que cochichem olhando prá mim
Mas a verdade não, jamais
Eu não suportaria a verdade
Prefiro sorrir de mentira
Jurar que não choro
Prefiro que me coloquem nomes feios, apelidos
Prefiro a fofoca sobre minha vida
A degradação dos meus sonhos
O dedo apontado prá minha cara
Mas, por favor
A verdade, não
A verdade ,nunca
Eu não conseguiria viver a verdade
Por favor , a verdade jamais
Não prá mim
Prefiro que caçoem do meu jeito
Escarneçam de minha risada
Tripudiem minhas canções
E pisoteiem meus poemas
Mas, por Deus ,a verdade nunca
Não me diga a verdade
A verdade é uma faca afiada
Dor com hora marcada
Vaidade nua, encabulada
Moral de história mal contada
Casa fechada com grade
Pois eu prefiro que falem mal de mim
Desde que não seja a verdade.

The Chible

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tempo...

Tempo é prioridade, dizem. Acredito mesmo que seja, pois tudo que se tem em mente, pode ser realizado se há uma prioridade sobre o que se quer realizar.

Dizem que o tempo anda passando muito depressa...é uma incógnita. Nunca alguém  tentou segurá-lo entre os dedos...é passagem apenas. E como passa, é como o vento que vem, mexe com nossas lembranças, revira tudo e vai sem deixar marcas.

O tempo é limitado para quem não sonha! É pequeno para quem não realiza. É triste para quem não cria.

Dizem que se deve aproveitar bem o tempo, é necessário viver, porque o que passou não volta, não se pode voltar e reviver o  não-vivido!
O não-vivido. Drama dos arrependidos e aflição dos indecisos. Nada justifica o não-vivido, nem se pode culpar o tempo que é nosso amigo quando o estamos gastando!

O poeta já disse que o tempo é dividido em fatias, em ciclos. Há tempo para tudo, dizem as escrituras. Tempo para sorrir, para chorar, para colher, para plantar, para dividir, somar...
O tempo não é medido em fita métrica, em conta -gotas, em medidas certas, mas como é perfeito tudo tem seu tempo certo. Dura o essencial, o todo, o inteiro.

As pessoas é que não sabem usar o tempo, perdem-no no espaço, no pensamento, na busca incessante pelo que se deixou de fazer...

O tempo é nosso amigo ou nosso inimigo, depende do uso que se faz dele.

Aquele que sabe viver, sabe dosar o tempo. Haja tempo!!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Vocabulário Feminino

Se eu tivesse que escolher uma palavra
- apenas uma -
para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje,
essa palavra seria um verbo de quatro sílabas:
descomplicar.
Depois de infinitas (e imensas) conquistas,
acho que está passando da hora de aprendermos
a viver com mais leveza:
exigir menos dos outros e de nós próprias,
cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa,
olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão
falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial
da mulher moderna.
Amizade, por exemplo.
Acostumadas a concentrar nossos
sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas,
acabamos deixando as amigas em segundo plano.

E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher
quanto a convivência com as amigas.
Ir ao cinema com elas
(que gostam dos mesmos filmes que a gente),
sair sem ter hora para voltar,
compartilhar uma caipivodca de morango
e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes
- isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa,
prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez
(desligue o celular, se for preciso)
e desfrute os prazeres que só uma
boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário
duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino:
pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos,
três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia
- não importa -
e a ficar em silêncio.

Essas pausas silenciosas nos permitem refletir,
contar até 100 antes de uma decisão importante,
entender melhor os próprios sentimentos,
reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.
Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão
de uma mulher mal-humorada.
Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas
do nosso dia a dia.
Se for preciso, pegue uma comédia na locadora,
preste atenção na conversa de duas crianças,
marque um encontro com aquela amiga engraçada
- faça qualquer coisa, mas ria.
O riso nos salva de nós mesmas,
cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado:
mulheres que falam em regime o tempo
todo costumam ser péssimas companhias.

Deixe para discutir carboidratos
e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista..
Nas mesas de restaurantes, nem pensar.

Se for para ficar contando calorias,
descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa
do companheiro de mesa com reprovação e inveja,
melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface
e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão?
Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que,
essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia:
gentileza.

Ter classe não é usar roupas de grife:
é ser delicada.
Saber se comportar
é infinitamente mais importante do que saber se vestir.

Resgate aquele velho exercício que anda esquecido:
aprenda a se colocar no lugar do outro,
e trate-o como você gostaria de ser tratada,
seja no trânsito, na fila do banco,
na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado,
na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser
indissociáveis da vida:
sonhar e recomeçar.

Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia,
o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia,
aquele homem que um dia (quem sabe?)
ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Brad Pitt ...
sonhar é quase fazer acontecer.
Sonhe até que aconteça..

E recomece, sempre que for preciso:
seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares.
A vida nos dá um espaço de manobra:
use-o para reinventar a si mesma.

E, por último
(agora, sim, encerrando),
risque do seu Aurélio a palavra perfeição.

O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades,
inseguranças, limites.

Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita,
a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo,
a esposa nota mil.

Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite,
rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam,
bumbum que encara qualquer biquíni.
Mulheres reais são mulheres imperfeitas.
E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.
Viver não é
(e nunca foi)
fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem
(e a busca da perfeição pesa toneladas),
a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Leila Ferreira

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Trocas

Há pessoas que não sabem o que é o sorriso.
E por isso o trocam por uma lágrima.
Não sabem o que é um canto.
E o trocam por um grito de agonia.
Não sabem o que é uma amizade.
E a trocam pela antipatia.
Não sabem o que é o amor.
E o trocam por um grande ódio.
Não sabem o que é a paz.
E a trocam pela intriga.
Não sabem o que é a verdade.
E a trocam por um mundo corrido de mentiras.
Não sabem o que é uma flor, uma árvore, uma paisagem.
E trocam-nas por uma poluição desenfreada
Não sabem o que é o diálogo.
E se trancam dentro de si mesmas.
Não sabem o que é união.
E vivem isoladas.
Não sabem quem é Deus.
E o trocam por superstições vazias.
Não sabem o que é vida.
E vivem trocando-a pela morte.
Todas estas trocas são feitas porque o mais cômodo tem caminhos mais fáceis.
Mas a verdade é uma só:
lutar, perseverar, servir, servir .
As trocas pelo mais cômodo, pelo mais fácil, não levam a lugar nenhum.
Pelo contrário: atrapalham, esvaziam, machucam, destroem.

(Recebi sem autoria)

sábado, 6 de agosto de 2011

Salvo pela gentileza


Conta-se uma história de um empregado em um frigorífico da Noruega.
Certo dia ao término do trabalho foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu, todos já haviam saído para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo.

Já estava quase cinco horas preso, debilitado com a temperatura insuportável.
De repente a porta se abriu e o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida.
Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao vigia:

Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?.

Ele explicou: Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair.
Hoje pela manhã disse “Bom dia” quando chegou.

Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei..

Pergunta: Será que vc seria salvo???