terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diversos




Sou muito intensa, por isso vivo intensamente cada momento de minha vida, tanto a dor como a alegria.

Ouço as cigarras cantando. Será que elas cantariam tanto se soubessem que indo fundo poderiam morrer? O fato é que elas cantam até morrer mesmo. E esse mesmo canto anuncia calor demais. Uma boa nova para a natureza à custa de tamanho sacrifício. Hoje estive lendo textos de Adélia Prado. Como ela também mergulha fundo em suas reflexões! É brilhante em tudo que escreve e é uma pessoa cuja simplicidade transborda e nos faz pensar que é mesmo uma pessoa sábia, conhecedora de sentimentos. A cigarra e ela têm algo em comum. A cigarra se sacrifica por inteiro e Adélia sangra para descobrir e ficar livre de todo sofrimento interior. E escreve e se livra. Porque escrever é uma catarse.

domingo, 15 de julho de 2012

Sobre a política

As ações humanas ultrapassam, muitas vezes, a realidade lógica. As ações tornam-se reais, porque repetidas vezes são praticadas e, ilususórias, dão a impressão de que estão tratando do fato objetivo. 

Quem sabe ler e interpretar dificilmente será enganado por quem quer que seja e a pessoa de bem jamais enxergará a malícia onde ela não existe. 

Os mais *olheiros* enxergam além dos olhos naturais e fazem com que o invisível seja a qualquer custo visível, para atingir metas a qualquer custo e a qualquer preço. Pobre de nós, reles mortais, que vivemos à nossa própria sombra e, se for o caso, enganamo-nos a nós mesmos. 

Tentar iludir o próximo com falácias é pior que viver com malícia e prejudicando os demais. É viver com esperteza e essa não é a sonhada convivência da boa vizinhança. É o mal sobrepondo-se ao bem.

Vivemos todos uma época de violência acentuada e a lei, para ser cumprida, ameaça os cidadãos comuns com determinações. Pobre dos que não seguem as leis. Por bem ou por mal. 

Vivemos em uma sociedade em que vale tudo e os mais poderosos maltratam os mais fracos e exigem o  cumprimento dessas leis a todo custo, com violência. As leis foram criadas para beneficiar o povo, mas não é isso que acontece. Na sociedade, foram criadas para beneficiar os mais poderosos, os que estão, conscientemente, no poder. Nós, que fazemos parte dessa sociedade injusta e sem assistência, almejamos uma vida mais justa com a inocência dos que são traídos e mortos e não sabem por que razão.

Todos somos politizados, porém, *política* tornou-se sinônimo de desorientação. Enriquecimento por qualquer meio, fazer valer os direitos de qualquer forma e o respeito ao cidadão ou fazer valer as leis para  benefício da população é tarefa para os visionários, idealistas, mensageiros da paz tão fora de moda nos dias atuais.

Nunca se falou tanto em povo, direitos humanos, consciência política e nunca se desviou tanto desses valores, e me recuso a acreditar que por falta de humanidade dos políticos. Prefiro a ignorância à falta verdade que nos rodeia.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Memória afetiva II


Uma vez fomos de trem para Oliveira. Diziam que Nossa Senhora estava estampada na cabeceira de uma cama. Fomos nós lá ver o acontecido e vimos!!! Não sei se é sugestão. Tenho gravada na mente a sombra da imagem de NS. Meu irmão devia ter uns quatro anos e eu uns nove, viajávamos sempre Antônio Marcos e eu com meus pais, os outros irmãos eram crescidos.Ficamos na cidade o dia inteiro e não me lembro do que fizemos, mas voltamos muito tarde de trem. Era tão tarde que nós, duas crianças, dormimos no assento do trem e papai, então, pediu ao chefe dos maquinistas que nos pusesse no vagão-dormitório. Viemos dormindo boa parte do tempo de Oliveira até aqui. Foi uma glória dormir num vagão tão chic! Lembranças de uma infãncia feliz!

Minha tia Sylvia contava-nos, cheia de orgulho que seu pai, nosso avô, Pedro Theodoro de Souza é que planejou todo o trilho que ligava Lavras a Barra Mansa. Meu avô morou muito tempo em Ribeirão Vermelho e ali era muito influente. Quando desenhou essa *trilhagem*, ou seja, a linha de trem que liga Lavras a Barra Mansa, o engenheiro formado veio depois e apenas assinou o projeto que estava corretíssimo. 

Meu avô foi casado em primeiras núpcias com Adélia Rocha de Souza que faleceu aos 36 anos proveniente de parto. Naquela época não se fazia cezariana. Minha mãe Geraldina contava que enquanto velada no ventre de sua mãe o bebê ainda se mexia. Depois, em segundas núpcias, casou-se com Ana Augusta de Souza. Do primeiro casamento nasceram, além de filhos que morreram, um irmãozinho com quatro anos, provavelmente de tifo e Luite, mais velha que não sobreviveu à famosa gripe espanhola, minha mãe Geraldina e minha tia Sylvia; do segundo, Pedro Theodoro de Souza e Aline. Todos conviviam como se irmãos de sangue *inteiro* fossem, não havia desavença entre eles e nós fomos criados com nossos primos como irmãos. Linda e afetuosa família essa da qual faço parte. Um privilégio, pra mim, ter nascido neste berço.

Minha mãe sempre foi a mais enérgica, mas era dona de um coração muito grande. Era, também, muito fervorosa, lutou bravamente, junto a meu pai para criar a família numerosa! Um exemplo de vida a ser seguido e reverenciado. 

No momento, os filhos todos , ou melhor, a grande família se prepara para o  grande encontro que se realizará em julho. É a grande festa da família, ocasião em que todos se reúnem e, como a família sempre cresce, é a oportunidade de uns e outros se conhecerem. É a grande bênção que Deus nos reserva. É a época da colheita, embora os *agricultores* não estejam presentes, mas eternos em nossa vida.

Memória afetiva I



Hoje meu dia foi nostálgico. Lembrei-me tanto de papai! Não gosto quando a saudade toma conta, é tristeza na certa. Não venha me dizer que se é saudade boa não dói, porque toda saudade é dolorida, toda lembrança traz sequela e de onde a gente volta não voltamos os mesmos. Um pedaço de nós fica lá longe onde estivemos para matar essa saudade de alguém que nos deixou e sua ausência é *para sempre!*

Meu pai foi um homem apaixonado pelo que fazia. Transmitiu essa paixão pelo trabalho aos filhos, excelentes profissionais. Aposentou-se como *gerente*, era assim que se falava, do antigo armazém da RMV. Nesse armazém vendia-se de quase tudo. Lembro-me de que ele trazia roupas de cama, mesa, banho, mantimentos e, ainda, cultivava uma colmeia atrás do armazém e, de vez em quando, trazia-nos o favo ou o mel. Lembro-me até hoje do sabor, assim como também fazemos uso de mel em nossa mesa.

Papai subia de bonde para nossa casa e descia a pé. Levava-nos, muitas vezes, a passear pela cidade. E os trens? Minha avó morava em Ribeirão Vermelho e todos os domingos, pegávamos um deles (não sei se a *Bitolinha* ou *Maria Fumaça*), descíamos na estação de RV e íamos almoçar com nossa avó Mercedes. Sempre meus pais, meu irmão Marcos Possato e eu. Ela morreu no dia 20/07, dia do aniversário da cidade e não pudemos ir ao baile. Só não me lembro do ano...

Meu irmão mais velho, José Roberto, herdou sua paixão pelos trens. Em sua casa há uma foto de uma máquina famosa e a cada vez que escutava o barulho de um deles passando nos trilhos perto de onde moramos, saía à porta ou ia nos fundos da horta para vê-los. São muitos os casos, muitas as histórias, espaço pequeno. Aqui também não é lugar para escrita longa, é que me deu uma *nostalgia*, talvez o dia nublado, sozinha em casa e o Dario me cutucando pra escrever algo. Dario, meu velho e carinhoso amigo a quem muito amo. Nosso eterno vizinho. E a vida continua com seus trilhos sinuosos, ora retos, sempre em direção a algo mais profundo e sincero! Nossa verdade!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Recomeço

Estou recomeçando minha vida profissional. Há algum tempo doei meus livros didáticos e alguns literários. Foram sem que eu tivesse tempo de me arrepender, mas não aguento de saudade deles. Choro cada livro ido, saído pela janela, porque não tive tempo de dizer-lhes adeus. Hoje tento recuperar minha estante e o tempo está curto para tanta memória de tudo que joguei fora e não volta mais. Comprar é fácil, difícil é recompr a vida!

Nunca pensei que fosse sentir tanto a falta de folhas velhas, encardidas, visitadas pelo tempo e amareladas pelo manuseio contínuo de mãos vacilantes e impetuosas a caminho do saber.

Foi-se uma época de minha vida, ficou o vazio da transformação. Essa me pegou desprevenida, como todas as mudanças e não sei porquê lamento a existência de tão irriquietos pensamentos que me tonteiam e me fazem girar em torno do que ainda poderia fazer.

A realidade me chama para o presente e me conclama a virar essa página de minha vida. Recomeçar é a atitude certa de quem não resistiu ao apelo da mente e quer de novo restabelecer um vínculo com a sabedoria, com o conhecimento, com minhas vivências anteriores e poder jorrar tudo numa imensa união de mentes dispostas a receber o que de tão precioso não ocultei; de tão gratificante não segurei com toda minha força: meus livros. 

E cá estou eu novamente catando de minha memória o que de tão estonteante perdi e refazendo uma grande e enfileirada carreira de livros que vou conseguindo, à medida que vou me lembrando das horas, dias vividos em companhia real e feliz de uma estante que não volta mais.

sábado, 10 de março de 2012

Poema enviado pelo amigo Chible Haddad...Muito lindo!


Prefiro que falem mal de mim
Prefiro a maledicência
O boato
A infâmia
A calúnia
A difamação
Prefiro que inventem coisas a meu respeito
Mas ,por favor, a verdade não
Prefiro que as pessoas me olhem torto na rua
Rindo de mim depois que já passei
Prefiro que cochichem olhando prá mim
Mas a verdade não, jamais
Eu não suportaria a verdade
Prefiro sorrir de mentira
Jurar que não choro
Prefiro que me coloquem nomes feios, apelidos
Prefiro a fofoca sobre minha vida
A degradação dos meus sonhos
O dedo apontado prá minha cara
Mas, por favor
A verdade, não
A verdade ,nunca
Eu não conseguiria viver a verdade
Por favor , a verdade jamais
Não prá mim
Prefiro que caçoem do meu jeito
Escarneçam de minha risada
Tripudiem minhas canções
E pisoteiem meus poemas
Mas, por Deus ,a verdade nunca
Não me diga a verdade
A verdade é uma faca afiada
Dor com hora marcada
Vaidade nua, encabulada
Moral de história mal contada
Casa fechada com grade
Pois eu prefiro que falem mal de mim
Desde que não seja a verdade.

The Chible

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tempo...

Tempo é prioridade, dizem. Acredito mesmo que seja, pois tudo que se tem em mente, pode ser realizado se há uma prioridade sobre o que se quer realizar.

Dizem que o tempo anda passando muito depressa...é uma incógnita. Nunca alguém  tentou segurá-lo entre os dedos...é passagem apenas. E como passa, é como o vento que vem, mexe com nossas lembranças, revira tudo e vai sem deixar marcas.

O tempo é limitado para quem não sonha! É pequeno para quem não realiza. É triste para quem não cria.

Dizem que se deve aproveitar bem o tempo, é necessário viver, porque o que passou não volta, não se pode voltar e reviver o  não-vivido!
O não-vivido. Drama dos arrependidos e aflição dos indecisos. Nada justifica o não-vivido, nem se pode culpar o tempo que é nosso amigo quando o estamos gastando!

O poeta já disse que o tempo é dividido em fatias, em ciclos. Há tempo para tudo, dizem as escrituras. Tempo para sorrir, para chorar, para colher, para plantar, para dividir, somar...
O tempo não é medido em fita métrica, em conta -gotas, em medidas certas, mas como é perfeito tudo tem seu tempo certo. Dura o essencial, o todo, o inteiro.

As pessoas é que não sabem usar o tempo, perdem-no no espaço, no pensamento, na busca incessante pelo que se deixou de fazer...

O tempo é nosso amigo ou nosso inimigo, depende do uso que se faz dele.

Aquele que sabe viver, sabe dosar o tempo. Haja tempo!!!