sexta-feira, 11 de dezembro de 2015





A árvore da vida é imune aos próprios desafios que ela se nos apresenta. Seus galhos crescem e tentam alcançar o inatingível e, por vezes,  conseguem-no...nada é impossível na natureza perfeita. As sementes frutificam, os frutos vêm no tempo certo, a colheita se dá na estação propícia e o homem cuida de fazer sua parte no banquete da vida. Nada se modifica, tudo está no seu lugar, apenas o homem inquieto diante de tantas certezas e cego aos sinais que Deus lhe envia a todo momento pelas mãos dessa  natureza humana e divina a que estamos acostumados a ver, sentir e a não obedecer. Sempre há sinais de que tudo acontece no seu tempo certo e que nada acontece sem que tenha chegado a sua hora. Por que se inquietar? Às vezes, só é preciso ter fé!


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015



Depois de um longo tempo afastada resolvi ativar meu blog. Talvez seja o momento pelo qual passo de uma crise existencial e queira, assim, desabafar para eu mesma num papel que se me aparece em branco e com espaço suficiente para dar vazão aos meus sentimentos que se tornam presos e demais agonizantes dentro de meu peito. É uma forma de tratar de mim mesma com a mesma intensidade com que os vivo. A natureza me deu de presente uma alta sensibilidade e é com ela que devo viver o resto de meus dias e por ela a escrita é necessária e proveitosa de descrição de uma alma dolorida. Não quero ser piedosa comigo mesma, quero afastar de mim todos os fantasmas que me rodeiam e me dificultam a vida por vezes tão dura e outras tantas vezes tão deliciosa. Não fujo de mim, fujo daquilo que me atrapalha..das angústias e sofrimentos em vão. A dádiva de viver não pode e não deve ser embaçada por negativismos baratos e que nos sugam as energias. O clareamento das percepções e sentidos da vida faz-se necessário em uma época em que as forças se esvaem. A mão de Deus é poderosa e nos impulsiona e levanta. É o que faço agora tentando me recompor e juntando todo o quebra-cabeça que se formou de um momento pra outro. É a vida me chamando a atenção, é a natureza me abrindo os olhos para um novo recomeço, é a claridade me iluminando os passos para um novo alvorecer. É a vida brotando de novo dentro de mim.

Resolvi que quero ser eu mesma,com todas as minhas qualidades e defeitos. Não que eu não o seja, mas quero ser inteira, sem cortes, sem despedaçar-me, destroçar-me. Com atitudes, gestos, ações que não magoem, mas que também não me impeçam de ser autêntica e verdadeira sempre. Cansei de fazer pelos outros o que nem sempre faço a mim mesma. Cansei de ser a ouvinte calada e não ter ouvidos que me ouçam. Cansei de matar um leão por dia, porque vou incomodar as pessoas se não o fizer, porque nem sempre estou bem e feliz. Cansei de parecer sem o ser. Cansei de muitas coisas, inclusive, de hipocrisia, falsos amigos, falsas considerações. Quero na minha vida quem me ama, apoia-me nos meus momentos ruins, nas minhas fraquezas, nos meus dissabores. Quero, também, quem se alegra comigo, com minhas vitórias e conquistas. Quero viver uma vida real , sem subterfúgios, chantagens, ilusões de que tudo vai maravilhosamente bem quando, na realidade, nem sempre é o que acontece. Cansei! A vida é minha, vou vivê-la da forma que eu me sinta feliz nela. Estou cansada de competições desnecessárias e falsos elogios. Quero a vida inteira e eu dentro dela buscando o que há de melhor em mim, para alcançar minha paz interior e realizar minha missão no mundo. Quero instantes felizes, mas verdadeiros e humanos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diversos




Sou muito intensa, por isso vivo intensamente cada momento de minha vida, tanto a dor como a alegria.

Ouço as cigarras cantando. Será que elas cantariam tanto se soubessem que indo fundo poderiam morrer? O fato é que elas cantam até morrer mesmo. E esse mesmo canto anuncia calor demais. Uma boa nova para a natureza à custa de tamanho sacrifício. Hoje estive lendo textos de Adélia Prado. Como ela também mergulha fundo em suas reflexões! É brilhante em tudo que escreve e é uma pessoa cuja simplicidade transborda e nos faz pensar que é mesmo uma pessoa sábia, conhecedora de sentimentos. A cigarra e ela têm algo em comum. A cigarra se sacrifica por inteiro e Adélia sangra para descobrir e ficar livre de todo sofrimento interior. E escreve e se livra. Porque escrever é uma catarse.

domingo, 15 de julho de 2012

Sobre a política

As ações humanas ultrapassam, muitas vezes, a realidade lógica. As ações tornam-se reais, porque repetidas vezes são praticadas e, ilususórias, dão a impressão de que estão tratando do fato objetivo. 

Quem sabe ler e interpretar dificilmente será enganado por quem quer que seja e a pessoa de bem jamais enxergará a malícia onde ela não existe. 

Os mais *olheiros* enxergam além dos olhos naturais e fazem com que o invisível seja a qualquer custo visível, para atingir metas a qualquer custo e a qualquer preço. Pobre de nós, reles mortais, que vivemos à nossa própria sombra e, se for o caso, enganamo-nos a nós mesmos. 

Tentar iludir o próximo com falácias é pior que viver com malícia e prejudicando os demais. É viver com esperteza e essa não é a sonhada convivência da boa vizinhança. É o mal sobrepondo-se ao bem.

Vivemos todos uma época de violência acentuada e a lei, para ser cumprida, ameaça os cidadãos comuns com determinações. Pobre dos que não seguem as leis. Por bem ou por mal. 

Vivemos em uma sociedade em que vale tudo e os mais poderosos maltratam os mais fracos e exigem o  cumprimento dessas leis a todo custo, com violência. As leis foram criadas para beneficiar o povo, mas não é isso que acontece. Na sociedade, foram criadas para beneficiar os mais poderosos, os que estão, conscientemente, no poder. Nós, que fazemos parte dessa sociedade injusta e sem assistência, almejamos uma vida mais justa com a inocência dos que são traídos e mortos e não sabem por que razão.

Todos somos politizados, porém, *política* tornou-se sinônimo de desorientação. Enriquecimento por qualquer meio, fazer valer os direitos de qualquer forma e o respeito ao cidadão ou fazer valer as leis para  benefício da população é tarefa para os visionários, idealistas, mensageiros da paz tão fora de moda nos dias atuais.

Nunca se falou tanto em povo, direitos humanos, consciência política e nunca se desviou tanto desses valores, e me recuso a acreditar que por falta de humanidade dos políticos. Prefiro a ignorância à falta verdade que nos rodeia.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Memória afetiva II


Uma vez fomos de trem para Oliveira. Diziam que Nossa Senhora estava estampada na cabeceira de uma cama. Fomos nós lá ver o acontecido e vimos!!! Não sei se é sugestão. Tenho gravada na mente a sombra da imagem de NS. Meu irmão devia ter uns quatro anos e eu uns nove, viajávamos sempre Antônio Marcos e eu com meus pais, os outros irmãos eram crescidos.Ficamos na cidade o dia inteiro e não me lembro do que fizemos, mas voltamos muito tarde de trem. Era tão tarde que nós, duas crianças, dormimos no assento do trem e papai, então, pediu ao chefe dos maquinistas que nos pusesse no vagão-dormitório. Viemos dormindo boa parte do tempo de Oliveira até aqui. Foi uma glória dormir num vagão tão chic! Lembranças de uma infãncia feliz!

Minha tia Sylvia contava-nos, cheia de orgulho que seu pai, nosso avô, Pedro Theodoro de Souza é que planejou todo o trilho que ligava Lavras a Barra Mansa. Meu avô morou muito tempo em Ribeirão Vermelho e ali era muito influente. Quando desenhou essa *trilhagem*, ou seja, a linha de trem que liga Lavras a Barra Mansa, o engenheiro formado veio depois e apenas assinou o projeto que estava corretíssimo. 

Meu avô foi casado em primeiras núpcias com Adélia Rocha de Souza que faleceu aos 36 anos proveniente de parto. Naquela época não se fazia cezariana. Minha mãe Geraldina contava que enquanto velada no ventre de sua mãe o bebê ainda se mexia. Depois, em segundas núpcias, casou-se com Ana Augusta de Souza. Do primeiro casamento nasceram, além de filhos que morreram, um irmãozinho com quatro anos, provavelmente de tifo e Luite, mais velha que não sobreviveu à famosa gripe espanhola, minha mãe Geraldina e minha tia Sylvia; do segundo, Pedro Theodoro de Souza e Aline. Todos conviviam como se irmãos de sangue *inteiro* fossem, não havia desavença entre eles e nós fomos criados com nossos primos como irmãos. Linda e afetuosa família essa da qual faço parte. Um privilégio, pra mim, ter nascido neste berço.

Minha mãe sempre foi a mais enérgica, mas era dona de um coração muito grande. Era, também, muito fervorosa, lutou bravamente, junto a meu pai para criar a família numerosa! Um exemplo de vida a ser seguido e reverenciado. 

No momento, os filhos todos , ou melhor, a grande família se prepara para o  grande encontro que se realizará em julho. É a grande festa da família, ocasião em que todos se reúnem e, como a família sempre cresce, é a oportunidade de uns e outros se conhecerem. É a grande bênção que Deus nos reserva. É a época da colheita, embora os *agricultores* não estejam presentes, mas eternos em nossa vida.

Memória afetiva I



Hoje meu dia foi nostálgico. Lembrei-me tanto de papai! Não gosto quando a saudade toma conta, é tristeza na certa. Não venha me dizer que se é saudade boa não dói, porque toda saudade é dolorida, toda lembrança traz sequela e de onde a gente volta não voltamos os mesmos. Um pedaço de nós fica lá longe onde estivemos para matar essa saudade de alguém que nos deixou e sua ausência é *para sempre!*

Meu pai foi um homem apaixonado pelo que fazia. Transmitiu essa paixão pelo trabalho aos filhos, excelentes profissionais. Aposentou-se como *gerente*, era assim que se falava, do antigo armazém da RMV. Nesse armazém vendia-se de quase tudo. Lembro-me de que ele trazia roupas de cama, mesa, banho, mantimentos e, ainda, cultivava uma colmeia atrás do armazém e, de vez em quando, trazia-nos o favo ou o mel. Lembro-me até hoje do sabor, assim como também fazemos uso de mel em nossa mesa.

Papai subia de bonde para nossa casa e descia a pé. Levava-nos, muitas vezes, a passear pela cidade. E os trens? Minha avó morava em Ribeirão Vermelho e todos os domingos, pegávamos um deles (não sei se a *Bitolinha* ou *Maria Fumaça*), descíamos na estação de RV e íamos almoçar com nossa avó Mercedes. Sempre meus pais, meu irmão Marcos Possato e eu. Ela morreu no dia 20/07, dia do aniversário da cidade e não pudemos ir ao baile. Só não me lembro do ano...

Meu irmão mais velho, José Roberto, herdou sua paixão pelos trens. Em sua casa há uma foto de uma máquina famosa e a cada vez que escutava o barulho de um deles passando nos trilhos perto de onde moramos, saía à porta ou ia nos fundos da horta para vê-los. São muitos os casos, muitas as histórias, espaço pequeno. Aqui também não é lugar para escrita longa, é que me deu uma *nostalgia*, talvez o dia nublado, sozinha em casa e o Dario me cutucando pra escrever algo. Dario, meu velho e carinhoso amigo a quem muito amo. Nosso eterno vizinho. E a vida continua com seus trilhos sinuosos, ora retos, sempre em direção a algo mais profundo e sincero! Nossa verdade!