quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vocabulário feminino ~Leila Ferreira

Se eu tivesse que escolher uma palavra - apenas uma - para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.
 
Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos - e merecemos - ter.
 
Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem  para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com  elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para  voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias
que já nos contamos mil vezes - isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.
 
E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia - não importa - e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada - faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere... sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.

E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui
fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas),a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.


(Achei o texto bastante interessante, portanto, resolvi postá-lo e trazê-lo para vocês, meus amigos)

terça-feira, 1 de março de 2011

Alma machucada


Minha alma está machucada
por que razão?
Ela tenta disfarçar a dor, mas não resiste e chora...
A lágrima cai impiedosa e escorre pela face sombria...
Onde foi se esconder sua alegria?
Em que porão se debate sua esperança?
Seus dias são negros e escuros e sua agonia parece perene...
Sofrimento é a cor de seus dias e a saudade é a cruz de seus passos...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Escolhas...

Somos verdadeiramente livres para fazer nossas escolhas? Elas são nossas de verdade? Penso que nem sempre a resposta seja sim. Nada depende, exclusivamente, de apenas nós mesmos. Somos escravos de uma ou outra situação, pessoa, causa, problema. Escravos da emoção, dos sentimentos de culpa, servidão, autoridade e muito mais.

Quando se é criança não se tem a liberdade de ir e vir sem o pleno consentimento dos pais ou responsáveis. Refiro-me à época em que as crianças eram consideradas crianças e os meninos brincavam de bolinhas de gude e as meninas de boneca. Hoje os meninos brincam com seus videogames e as meninas aprendem a usar maquiagem. Nascem adultos e sofrem antes da hora.

Na escolha da profissão, normalmente, segue-se o que a família já é em sua grande maioria. Pais advogados, filhos também, médicos, dentistas, arquitetos, comerciantes, professores, assim como eu criada num ambiente de educadores. Meu projeto inicial era Psicologia, mas o financeiro não suportou. Realizei-me no que pude fazer de bom, ser a melhor professora dentro do possível e consegui méritos e ser reconhecida pelo meu excelente trabalho profissional.

Não se escolhe ter mágoa ou raiva, ou ser feliz ou infeliz. Apenas se é. Como também não se escolhe amar essa ou aquela pessoa, assim como não se escolhe ter simpatia por alguém. O sentimento não tem escolha, brota na pele, no olhar, no aperto de mão, e da mesma maneira que nasce pode murchar e morrer por uma grande decepção. Que fazer diante de um conflito interno? Diante do vazio? Da solidão necessária? Ninguém pode ajudar a não ser o próprio indivíduo a si mesmo. 

A liberdade de escolha nunca foi tão livre assim. A sociedade moderna exige que as mulheres tenham certo padrão de beleza que as faz sofrer e as leva à morte muitas vezes. O erro é uma palavra que fugiu ao vocabulário das pessoas que não sobreviveram ao ritmo da normalidade. Beleza é fundamental, então, não se pode escolher ser o que se quer ser e, sim, o que os outros querem que se seja.
Alguém há de pensar: Mas isso é se preocupar muito com a opinião dos outros. Não é essa a questão. A liberdade completa não existe, é o que quero dizer. Liberdade interna, sim, porque ninguém é dono de ninguém, de nossos pensamentos, sentimentos, emoções, preocupações e, ainda, podemos sonhar. O sonho é a expressão máxima de liberdade. Leva-nos a mundos distantes e a encontrar-nos com pessoas queridas as quais deixaram nosso convívio. O sonho faz-nos reviver momentos vividos e a flutuar em mundos fictícios. Essa liberdade existe, apesar de não se poder segurá-la nem no tempo nem em pensamento
Acabou-se a boa comida, farta, saborosa. Acabou-se o mundo dos cheinhos, do abraço apertado e macio, vale agora o ‘dois beijinhos’, quando não, ‘um só’. Minha escolha depende da escolha do outro! Minha vida depende da vida de quem convive comigo, porque vivemos em uma coletividade e respeitar as regras é fundamental. Essa lógica existe desde que o mundo é mundo!
A liberdade é um anseio com a qual todos sonhamos, mas poucos o conseguem, porque nem todos, ainda, conservam o dom de sonhar. E o sonho é vida livre e a liberdade é um processo que exige maturidade e consciência de quem já viveu o bastante neste “mundo vasto mundo’!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011

Feliz 2011!
O ano se foi, pensamos todos que algo, como num passe de mágica, vai mudar de uma noite para o dia.
Velho sonho, antiga esperança...
Muda o dia, o ano ou mudamos nós?
Nada se modifica, apenas uma noite se finda e um novo dia amanhece, e a vida segue seu curso normal...

É bom desejar boas energias, renovar a alma, repensar a vida...
Refazer o pensamento, mudar a roupa, ver o espumante estourar e o som dos fogos além das luzes da meia noite...

Tudo é calor, festa, harmonia, mesmo que dure um instante...

Meu desejo é que o sonho desta noite perdure por todo o sempre, acalente o porvir de velhos amores e e agregue leveza e versatilidade às pessoas acomodadas e passivas.

Feliz 2011, feliz ano novo, felizes dias sempre!!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal!

"Feliz Natal a todos que dançam embalados pelos próprios sonhos e nunca dizem sim às artimanhas do desejo. Aos que ignoram o alfabeto da vingança e jamais pisam na armadilha do desamor, pois, sabem que o ódio destroi primeiro a quem odeia."

" Feliz Natal a todos os que sabem voar sem exibir as asas e abrem caminhos com os próprios passos, inebriados pelos ecos de profundas nostalgias. E aos que decifram enigmas sem revelar inconfidências e, nus, abraçam epifanias sob cachoeiras de magnólias."

"Feliz Natal aos que secam lágrimas no consolo da fé e plantam no chão da vida as sementes do porvir"!


Feliz Natal aos meus amigos blogueiros, pessoais, a todos que interrelacionaram comigo em 2010. Espero que embalados pelos anjos, abençoados pelo Menino Deus continuemos juntos em 2011 com muita Fé e Esperança. Muito obrigada!

domingo, 12 de dezembro de 2010

O dia em que vi Deus - Frei Betto

Natal é a "despapainoelização" do espírito.
É quando o coração torna-se manjedoura e, aberto ao outro, acolhe, abraça e acarinha.
Violenta-se quem faz da festa do Menino Jesus uma troca insana de mercadorias. Quantas ausências nesses presentes!
Em pleno verão, nos trópicos, o corpo empanturra-se de nozes e castanhas, vinhos e carnes gordas, sem que se faça presente junto àqueles que, caídos à beira do caminho, aguardam um gesto samaritano.
Ainda criança, em Minas, aprendi com meus pais a depositar junto ao presépio a lista de meus sonhos.
Nada de pedidos a Papai Noel.
No decorrer do advento, eu engordava a lista: a cura de um parente enfermo; um emprego para o filho da lavadeira; e a paz no mundo.
Meu pai insistia para que eu registrasse meus sonhos mais íntimos.
Aos 8 anos, escrevi: "Quero ver Deus".
Minha mãe ponderou: "Não basta Nossa Senhora, como as crianças de Fátima?".
Não, eu queria ver Deus Pai.
Nem imagens dele eu encontrava nas igrejas, que exibem, de sobejo, ícones de Jesus e pombas que evocam o Espírito Santo.
Na tarde de 25 de dezembro, meus pais levaram-me a um hospital pediátrico. Distribuímos alegria e chocolate às crianças, vítimas de traumas ou tomadas pelo câncer e por outras enfermidades.
Fiquei muito impressionado com um menino de 6 anos, careca.
Na saída, mamãe indagou-me: "Gostou de ver Deus?".
Fiquei confuso: "Só vi crianças doentes", respondi.
Então ela me ensinou que a fé cristã reconhece que todos os seres humanos são imagem e semelhança de Deus.
Por isso é tão difícil ver Deus.
Pois não é fácil encarar a radical sacralidade de todo homem e de toda mulher.
Aos poucos entendi que o modo de comemorar o Natal forma filhos consumistas ou altruístas.
E descobri que Deus é tanto mais invisível quanto mais esperamos que Ele entre pela porta da frente.
Sorrateiro, Ele chega pelos fundos, via um sem-terra chamado Abraão;
um revolucionário, de nome Moisés;
um músico com fama de agitador, Davi;
uma prostituta, Raab;
um subversivo conhecido por Jeremias;
um alucinado, Daniel;
um casal de artesãos que, recusado em Belém, ocupa um pasto para trazer o Filho à vida: Maria e José.
No Evangelho de Mateus (25, 31-46) Jesus identifica-se com quem tem fome e sede, é doente ou prisioneiro, oprimido ou excluído. Aqueles que para os "sábios" são a escória da sociedade, para Deus são os convidados ao banquete do reino.
Desde então aprendi que Natal é todo dia, basta abrir-se ao outro e à estrela que, acima das mazelas deste mundo, ascende a esperança de um futuro melhor.
Sonhar com um mundo em que o Pai Nosso transpareça na grande festa do pão nosso. Pois, quem reparte o pão partilha Deus.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Posso errar? Por Leila Ferreira

Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu "errado".


Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de
ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia
nem shopping num raio de 10 Km.


A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do
kit do hotel. Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudamsó de ouvir a palavra "condicionador". Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes , tudo aquilo que meus nove vidros de xampu "certo" que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir.


Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa , e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?

O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi "certo?" até colocar a aliança.


O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de "nada a ver", vão ficando e, quando você se assusta, está casada  e feliz  com um deles.


E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas, talvez, você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada.


Estava com a roupa "certa", mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para "errar".


Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: "Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo". Sem entrar no mérito da questão , da traição ou do cigarro , concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom.


O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar. Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.


O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem, quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: -Como assim?! Você não dirige?!?. Com toda a calma, ele responde: -Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios ...tem um punhado de coisas que eu não faço!.


Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos.


Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras:


"Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos".


O certo ou o"certo" pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.




Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro Mulheres ? Por que será que elas..., da Editora Globo.